Total de visualizações de página


Di-vidido

Será que todos sabem a dureza de ser cada um?
Sustentar um lugar é tão difícil como acreditar nele.
Quantas, tão grandes, pequenas coisas o sujeito vive a sofre?
Quase não viver, é a angústia de não tê-lo.

E então, para que tê-lo se não posso sê-lo.
Aprender a ter ou a não-ter é o caminho ideal?
Por quem fazer primeiro, pelo Outro ou ao eu?

Pelo amor a saudade trás um bem
e que leva consigo o meu.
Demoner.
27.09.2011
17h


A história do grilo
                Uma carona do carro que dirigia, além da dona, lança no ar uma simples inibição. A viagem ainda, nem tinha começado. Era apenas uma observação feita ao entrar no veículo. Dentro do carro, o ar gelado abria as narinas. Como no acordar pela manhã, depois de uma boa noite de sono. Agora já não é mais, como nos tempos de criança das noites de insônia por medo de escuro.
                A inquietude no banco traseiro, desperta um novo olhar a ela. Os mesmos bichinhos estavam presentes. Os grilos das noites de insônia, agora a assusta à luz do dia. É na viagem que algo desperta, um novo olhar para com aquela jovem profissional. O nó da observação anterior é dado.
                Os fatos e contos se juntavam ao longo da paisagem da estrada, na conversa há três da bela tarde de domingo de sol quente, na BR-101. Tantas vidas, indo e vindo, que até conhecido se vê na ultrapassagem dos carros. A tranquilidade do dia e da pista, não exclui a parada para matar a sede da conversa, e dos doces saborosos da colega de trás.
                Na imagem do espelho, a cena acontecia. O olhar da autoridade, que proíbe o que se faz de errado - As crianças que digam, com suas enureses tardias -, o bicho-papão aparece não somente no escuro, mas no claro também. Uma tensão desnecessária para quem nada fazia, apenas viajava.
                As autoridades na Reserva, jamais dariam conta de um grilo.  Seria doloroso demais ficar pensando na possibilidade. Ele não aparece para quem não tem medo, o medo de descobrir o que se faz. Mas todos sabem o tamanho do seu grilo...

23.08.2010
21:27h
Dalton Demoner Figueiredo.

Loucura?

            Pensar e enlouquecer já deixaram de ser opostos há muito tempo. De lá pra cá, mudaram-se os nomes. Um dia já foi insensatez, em outro, sinônimo de des/razão. Até mesmo um estado doentio, um dia já foi. E pode acreditar, ‘dias atrás’ era uma condição de saúde que a pessoa se encontrava. O ponto de vista balizador pode variar de acordo com a forma de encarar os fatos. Como diz o célebre psiquiatra e psicanalista francês, aquele que é Rei e acredita que é Rei, é tão louco quanto aquele que não é Rei e acredita ser.
            Um amor pode ser louco na sua raiz, seja por amar quem já se foi, ou talvez, por acreditar que a mulher perfeita um dia apareça em sua vida, e que as loucuras já feitas ao longo das experiências amorosas não passem de meros surtos tidos. Loucura seria acreditar no sentimento tido por um outro que, nem sabe ao certo o que sente por ele.
            O grito de liberdade do sujeito em surto promove uma ruptura em sua vida, a ´carta de euforia’ que assina no mundo real do sujeito a letra que lhe falta em sua vida, o nome-do-pai. A instância que flecha a relação simbiótica, vivida na díade entre a mãe e a criança. A incerteza provocada pela saudade do amor é trocada pela certeza da loucura, a dúvida não existe por aquele que é louco. Louco pela realidade que criou.
            O mundo real na realidade, não existe de verdade. A realidade criada por cada um em seus pensamentos, não é menos real que a inexistente real realidade. Cada um cria seus amores, suas loucuras, e muitos outros, enlouquecem pelos amores e pela falta deles. Seria loucura não enlouquecer, ainda bem que resta esta opção. Uma forma subjetiva de viver! Louco por amor... Um amor louco... Um amor, louco... Um louco, amor... Louco de amor... Amor de louco...etc
Dalton Demoner Figueiredo
17 de maio de 2010.
22:56h

Reforma Ortográfica - Um bar em Jurama - Distrito de Vila Valério - ES

Por onde tudo começou... Sítio Histórico, o Porto visto do mirante.

Local de trabalho

Um dia ao acaso

A carona surgida de imprevisto. O assunto jogado da boca para fora, por não saber o que dizer. A leveza da resposta acende uma esperança. A travessia para um lado novo da vida.
As portas que separam os lados.  O carro, o porteiro e o elevador a esperar. Em casa, apenas uma luz. Debaixo da porta, a claridade. O companheiro do acaso, um convite e um bar.
A noite, este dia feito para ti. O anônimo vai dar nome ao destino. Será mesmo o acaso se jogando na vida? A certeza da voz marcando o destino incerto. A carteira liga os dois lados, o caso e o acaso.
Um novo amanhã, figurado nas idas e vindas. Hoje sou eu, ontem foi você quem passou por aqui. A sorte caminha ao lado. Tempos e dias, na rodovia, driblando o sol e a chuva.
A leveza da vida torna o destino casual. A noite guardou o dia, a travessia do acaso. A dúvida provocada pelo instante do presente da noite. O amanhã se fez no escurecer da noite.

26.04.2008
02:17h